Ostara, Eostar ou Alban Eilir PDF Imprimir E-mail
Por Mirella Faur   
O Sabbat Ostara é celebrado na entrada do Sol no signo de Áries, marcado pela igualdade entre os dias e as noites, o equinócio. Para os povos europeus, esta data marcava a transição da metade escura para a metade clara do ano, sendo considerado o primeiro dia da primavera. Festejado antigamente como o tempo da concepção da criança solar que nascerá em Yule, este Sabbat foi cristianizado como a Festa da Anunciação, em 25 de março.

O jovem Deus, nascido em Yule, está alcançando sua maturidade enquanto que a deusa Donzela resplandece no auge de sua beleza e vitalidade, personificando o renascer da natureza e transformando tudo que toca.

Os povos antigos comemoravam, nesta data, a morte e o renascimento de vários deuses como Tammuz e Dumuzi, na Suméria; Attis, na Caldéia; Osíris, no Egito; Adonis e Dioniso, na Grécia; Baldur e Odin, na Escandinávia e de algumas deusas, como Perséfone e Inanna.

A Igreja Católica celebra a Ressurreição de Jesus no domingo seguinte à primeira lua cheia após o equinócio, continuando, assim, a antiga tradição.

Considerado o inicio do Ano Novo Zodiacal, o equinócio vernal festeja a ressurreição da luz com o deus solar, o aquecimento da terra, a germinação das sementes após a hibernação, o desabrochar da vegetação e a renovação da vida. Na Roda do Ano, Ostara é o oposto a Mabon, marcando o despertar da natureza e o aumento da luz solar.

A atmosfera deste Sabbat é de renovação, regeneração, expectativas e esperanças. Ostara ou Eostre é o nome da deusa saxã da primavera. Seu nome também é relacionado aos nomes de outras deusas antigas, como Astarte, Ishtar e Astoreth, regentes da fertilidade, do amor e da criatividade. Seus símbolos são a lebre, um animal extremamente fértil e os ovos, representando o potencial da vida e o novo inicio. Há um mito muito mais antigo, descrevendo a formação do mundo a partir do Ovo Primordial, posto pela Deusa Pássaro e chocado pelos raios do Sol. Tanto o ovo - pelo fato da ovulação ser estimulada pelos raios da Lua - quanto a lebre - pelo fato de ser relacionada às deusas lunares em vários mitos - são atributos lunares. Da combinação destes antigos símbolos místicos resultou o costume atual de se presentear as crianças com ovos de chocolate trazidos pelo Coelho da Páscoa, animal este que não tem nenhuma explicação plausível, não fazendo sentido nem mesmo quando contado às crianças

A lebre tem outro significado esotérico mais profundo, o da imolação ou auto-sacrifício, lembrando os antigos rituais de transformação em que se sacrificava algo de si para conseguir um favor divino ou propiciar uma mudança. Não é o sacrifício visto como um castigo, mas sacrificar algum prazer em prol do crescimento do Eu Maior.

O Sabbat celta Ostara coincidia com outras celebrações antigas, como as festas de Isis e Osíris, de Cibele e Attis, de Astarte, de Deméter e Perséfone e de Athena, entre outros. Também outras divindades são relacionadas a este Sabbat, como Chalchiuhtlique, Gala, Hina, Kwan Yin, Lilith, Oxum, Parvati e A Mulher que Muda.

Os círculos de mulheres celebram o retorno de Perséfone do mundo subterrâneo e a alegria de sua mãe Deméter, enchendo a terra com folhas e flores. E uma data propícia a rituais celebrando o encontro mãe e filha, a cura da criança interior e a bênção de sementes e da terra.

São elementos ritualísticos deste Sabbat as cestas de vime com ovos pintados ou inscritos com símbolos rúnicos. Estes ovos, chamados "pysanky" nos países eslavos, são considerados amuletos mágicos de fertilidade, proteção e prosperidade. Sem seus conteúdos, eles podem ser guardados em seu altar; crus e galados, podem ser ofertados à Deusa e, se cozidos antes de pintados, podem ser comidos. Por representar um símbolo de renascimento, os ovos podem ser enterrados nos túmulos dos familiares falecidos ou na terra, antes do plantio. As velas usadas durante o ritual são verdes ou em tons pastéis, o incenso e a essência podem ser de jasmim, íris, bétula, lírio ou narciso e o altar será enfeitado com flores, folhagens, penas, imagens das Deusas Pássaros e de animais totêmicos, como galinhas, galos, lebres ou pássaros, com fotografias de crianças, sinos ou chocalhos. Os rituais celebram a vida, o renascimento, a criança interior, a menarca, a Deusa e seu Filho, o equilíbrio e a harmonia. A comemoração é feita com pães especiais, bolos de frutas, gelatinas coloridas e ovos de chocolate.


Retirado do Livro de Mirella Faur "O anuário da Grande Mãe"

 
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