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Não podemos analisar os Mistérios Wiccanos sem nos referirmos aos celtas e
aos druidas das Ilhas Britânicas. As antigas regiões da Irlanda, da Bretanha,
da Escócia e do País de Gales evocam imagens de reinos místicos e segredos
ocultos, pois é ali que podem ser encontrados os mistérios do Caldeirão de
Cerridwen e dos ensinamentos das transformação ocultos na história de
Taliesin. Ali também encontramos os míticos Tuatha de Danann e muitas lendas
esplendorosas de heróis míticos como Hu Gadarn e Cuhulainn. É em tais lendas
que podemos encontrar e desvendar os princípios dos Ensinamentos Misteriosos.
Entretanto, as mais antigas Tradições de Mistérios européias conhecidas
(exceção feita aos temas alegóricos de Atlântida e Lemúria) originam-se, na
verdade, das antigas regiões da Mesopotâmia, Egito, Grécia e Itália, ou de
regiões próximas. No mais das vezes, essas culturas antecedem a tradição
celta em cerca de mil anos ou mais. Nas terras célticas, os druidas também
transmitiam uma Tradição de Mistérios – uma mescla de crenças locais e
influências externas. Muitos estudiosos atualmente crêem que o culto dos
druidas teria sido um resquício de um antigo clero indo-europeu. A Tradição
de Mistérios dentro da religião Wiccana teve origem na cultura neolítica da
Grande Deusa da Antiga Europa, e não diretamente das influências indo-européias
sobre a religião celta de modo geral.
Em seu livro The Goddesses and Gods of Old Europe (University of California
Press, 1982), a professora Marija Gimbutas descreve a Antiga Europa como a região
que compreende a Itália e a Grécia, estendendo-se ainda pela Checoslováquia,
o sul da Polônia e o oeste da Ucrânia. Gimbutas afirma que nessa área, entre
7000 e 3500 a.C., teve origem o antigo culto matrifocal da Grande Deusa e seu
consorte, o Deus Cornífero. Ela se refere ao povo dessa região antiga como
pertencendo a uma cultura pré-indo-européia: matrilinear, agrícola, pacífica
e sedentária.
Gimbutas prossegue descrevendo a Antiga Europa e seus aspectos singulares como
cultura neolítica. Em um de seus capítulos, ela descreve:
Entre 7000 e 3500 a.C., os habitantes dessa região desenvolveram uma organização
social muito mais complexa do que seus vizinhos ocidentais e do norte, formando
comunidades que comumente se agrupavam em cidadelas, inevitavelmente levando à
especialização do trabalho e à criação de instituições religiosas e
governamentais. Eles descobriram por si sós a possibilidade de utilizar cobre e
ouro na confecção de ornamentos e ferramentas, e aparentemente desenvolveram
uma escrita rudimentar. Se definirmos civilização como a habilidade de um
determinado povo de se adaptar a seu meio ambiente e de desenvolver artes,
tecnologia, escrita e relações sociais apropriadas, fica evidente que a Antiga
Europa atingiu um notável grau de sucesso.
É aqui, no culto neolítico da Grande Deusa da Antiga Europa, que surgiram os
alicerces dos antigos Mistérios Wiccanos. É aqui, portanto, que começaremos a
relacionar os antigos segredos transmitidos geração após geração. No
decorrer de nossa exploração, observaremos o fluxo dos Ensinamentos
Misteriosos à medida que passam da região egéia à mediterrânea.
Analisaremos como ingressam na Itália e se mesclam às civilizações etrusca e
romana. Partindo do sul da Europa, rastrearemos sua corrente rumo ao ocidente, e
os seguiremos em direção à Europa Setentrional, pois foi ali que os celtas
abraçaram os mistérios e os incorporaram a seu próprio sistema de crenças, o
qual se tornou o que convencionamos chamar de Tradição dos Mistérios Wiccanos.
Em seu livro The Mysteries of Britain (Newcastle Publishing, 1993), Lewis Spence
afirma que os ensinamentos druídicos surgiram de uma combinação da cultura
mediterrânea neolítica com as crenças nativas da antiga Bretanha. De acordo
com Spence, antigos viajantes mediterrâneos da Nova Idade da Pedra e da Idade
do Bronze chegaram ao litoral briânico e introduziram o Culto aos Mortos, comum
às antigas crenças da Europa Setentrional de então. Com o início da Idade do
Ferro, a ilha doa Bretanha ficou isolada, e dessa forma as crenças celtas
transformaram os ensinamentos importados numa religião única ao povo celta.
A religião da Antiga Europa havia se espalhado pelo ocidente partindo do sul da
Europa por volta de 4500 a.C., como comprova o descobrimento na Espanha e na
França de ícones de estilo semelhante ao do antigo culto matrifocal da região
e egéia-mediterrânea. Por volta de 3000 a.C., povos do mediterrâneo, da
Espanha e da Bretanha Menor se estabeleceram nas colinas ao sul da Inglaterra,
levando consigo à religião da Antiga Europa. O Culto aos Mortos, associado aos
espíritos dos mortos, com festivais celebrados em outubro e novembro, ainda
sobrevive desde tempos longínquos na Itália e na ilha da Sicília, bem como na
Inglaterra. O historiador John Morris (University College, Londres), em seu
livro The Age of Arthur (cap. 8: “Pagan Ireland”), nos diz que povos da Sicília
e do sul da Itália se estabeleceram na Irlanda no terceiro milênio a.C. e
introduziram tumbas derivadas dos túmulos em rocha da Sicília e da Itália.
Morris afirma que estes são o “povo de Partholon”, mencionado nos mitos
irlandeses.
Em algum ponto entre 600 e 500 a.C., os celtas invadiram a Inglaterra e se
depararam com o antigo Culto aos Mortos mediterrâneo. Spence atesta que os
celtas a princípio temiam o Culto e nutriam temor especial pelas sidhe (fadas),
que na verdade eram os espíritos dos mortos. Outra interessante conexão da
Antiga Europa é dos primeiros etruscos (1000 a.C.) no norte da Itália, que
acreditavam numa raça mística conhecida como Lasa, também associada aos
mortos (conhecidos posteriormente pelos romanos como espíritos ancestrais
chamados Lare). As similaridades na aparência e no folclore são muito grandes
para que sejam apenas coincidência.
Spence especula que os druidas eram, na verdade, um grupo sacerdotal
sobrevivente ao Culto aos Mortos mediterrâneo, os quais os celtas conseqüentemente
vieram a respeitar e honrar após ocuparem a Bretanha:
Os homens de Long Barrow eram comerciantes, viajando da Espanha para a Bretanha,
num período comumente determinado por volta de 2000 a.C., e o fato de terem
adotado o Culto aos Mortos é comprovado por seus hábitos de sepultamento.
Outras raças os sucederam, mas, apesar de suas crenças religiosas terem
deixado algumas marcas, o Culto aos Mortos local permaneceu como fé oficial e
absorveu todas as outras posteriormente introduzidas, com o povo celta adotando
seus princípios e fundindo amplamente sua mitologia a ela... [O druidismo]
surgiu de um Culto aos Mortos que vinha se desenvolvendo durante a Antiga Idade
da Pedra...
Assim sendo, os druidas se tornaram os sacerdotes da ilha, preservando as
antigas tradições que se fundiram numa nova e única religião celta. Devemos
notar, entretanto, que Spence, apesar de nenhuma culpa poder lhe ser imputada,
erra quanto ao período dos homens de Log Barrow, confiando nas errôneas evidências
científicas disponíveis na época (a data mais provável é 400 a.C.).
Segundo consta, os celtas não possuíam templos até o período galoromano.
Celebravam suas cerimônias em santuários nas florestas, sob a direção dos
druidas que haviam se tornado seus líderes religiosos. O nome druida significa
“conhecendo o carvalho”, ou “encontrando o carvalho”, e está obviamente
associado à prática de culto nos bosques. Após a influência dos romanos, os
celtas ergueram templos pagãos, muitos dos quais foram descobertos por arqueólogos
tanto na Bretanha como na Gália.
Os celtas foram o primeiro povo definido a formar uma cultura distinta nos
territórios europeus ao norte dos Alpes. Antes da metade do primeiro milênio,
eles eram completamente desconhecidos para o mundo civilizado mediterrâneo. Por
volta do século IV a.C. foram catalogados pelos gregos como um dos mais
numerosos povos bárbaros do mundo conhecido de então (os outros eram os cítios
e os persas).
É possível rastrear as origens das tribos celtas até a cultura de Túmulos da
Idade do Bronze, que atingiu seu apogeu por volta de 1200 a.C. Contudo, os
celtas não figuram como povo distinto e identificável até a época do período
de Hallstatt (dos séculos VII a VI a.C.). Durante o período de Hallstatt, os
celtas se espalharam pela França, Ilhas Britânicas, e rumo ao leste a partir
da Europa Central. Bandos celtas também penetraram na Itália, Romênia, Trácia
e Macedônia. Ali atacaram os territórios etruscos, romanos e gregos, e foram
posteriormente expulsos através dos Alpes pelas legiões romanas.
A partir da metade do primeiro século a.C., os celtas ficaram encalacrados
entre o Império Romano em expansão ao longo do Reno e do Danúbio e os
invasores germânicos do sul. Ao final do século, os celtas haviam perdido o
controle sobre o continente e foram posteriormente contidos pelos romanos que
avançavam para invadir a Bretanha (pela primeira vez por volta de 56 a.C. sob o
comando de Júlio César). Como resultado sua cultura foi transformada por séculos
de ocupação romana, e posteriormente pela Igreja Católica Romana. As antigas
tradições pagãs foram relegadas a uma sociedade oculta onde sobreviveram na
Antiga Religião da Wicca (bem como em muitas tradições folclóricas).
A história da Antiga Religião se estende ao obscuro passado da transformação
dos caçadores-coletores em uma comunidade agrícola. Isso vale dizer que a essa
altura ela se torna mais facilmente identificável para nós. As raízes da
Wicca como religião expressiva datam da Era Glacial, quando os humanos pintavam
e esculpiam cenas nas paredes das cavernas. Algumas cena retratam temas de caça
e outras são aparentemente de origem cerimonial, se não sobrenatural em
conceito. À medida que prosseguimos aqui nossas explorações pela história da
Antiga Religião, tenha em mente que, onde não apresento datas ou referências
a obras, estou tratando da história oral da Tradição dos Mistérios.
Quando os humanos caçadores-coletores que habitavam as florestas começaram a
desenvolver uma sociedade agrícola, mantiveram consigo as antigas deidades do
mundo selvagem. O deus com cornos de gamo da floresta foi transformado no deus
com cornos de bode dos pastos. Isso se deveu em grande parte à necessidade de
se domesticarem animais numa sociedade agrícola. O deus da floresta tornou-se
então o deus das colheitas.
O foco do antigo culto, no entanto, não era centrado numa forma masculina, mas
sim uma feminina. Os primeiros ancestrais dos Wiccanos cultuavam a Grande Deusa,
personificação dos mistérios femininos. Como a Grande Mãe, ela refletia a
misteriosa e poderosa natureza das mulheres, a qual lhes consentia sangrar por
dias sem enfraquecer e gerar outra vida humana. Não só esse poder era um mistério
para o homem antigo, como também o era para a mulher antiga. Por sua
necessidade de compreender (e de algum modo controlar) essas habilidades, as
mulheres se isolaram dos homens e formaram sociedades femininas.
Alguns estudos modernos muito convincentes parecem indicar que foram as mulheres
quem primeiro estabeleceram o sistema de tabus. Em alguns aspectos, apenas para
se livrarem da atenção sexual dos machos, mas também para estarem próximas
umas das outras durantes os períodos de menstruação e parto. As mulheres
transmitiam o conhecimento das ervas que aliviavam a dor e reduziam os
sangramentos, bem como outros “segredos” aos quais os homens não tinham
acesso. Durante o regime patriarcal, os tabus permaneceram, mas com conotações
diferentes dos originais.
Os homens naturalmente temiam o que não compreendiam e julgavam o sistema de
tabus não como um período em que as mulheres estariam isoladas e juntas, mas
como uma situação que eles deveriam evitar. Dessa forma, para os homens os
processos de menstruação e parto se misturavam a medo e ameaça. Tudo o que
sabiam era que esses períodos os afastavam dos prazeres das relações sexuais
e causavam dor física às mulheres. Da imaginação comum à natureza humana
durante um período de segregação forçada, imagens negativas começaram a se
desenvolver. Tais imagens negativas evoluíram com o passar dos séculos para
uma mentalidade que via erroneamente a menstruação como um processo impuro e
contagioso.
Foi em parte graças a essa mentalidade que o homem se afastou da
espiritualidade do Culto à Deusa e se aproximou do culto ao guerreiro-caçador.
Por não poderem amamentar, menstruar ou parir ( e já que seu papel na fecundação
ainda não era completamente entendido), os homens buscaram uma compreensão de
sua própria relevância. Esse foi, no entanto, um processo lento, e muitos
homens permaneceram na religião matrifocal como sacerdotes. A maioria deles era
de anciãos e caçadores incapacitados, os quais, deixados para trás durante as
caçadas e lutas, passavam a ser treinados por xamãs femininas. Desse grupo de
homens surgiu o que viria a se tornar o sacerdócio da Wicca. Com o tempo
ocorreu uma cisão entre as sociedades masculinas, e elas conseqüentemente se
separaram em cultos de orientação solar e lunar. À medida que os homens
ascendiam ao poder, passaram a desafiar a estrutura de descendência matrilinear
e a supremacia dos conceitos religiosos matrifocais.
A imagem da Grande Mãe permaneceu como uma força poderosa mesmo depois da
mudança da religião matrifocal para a patriarcal. A Igreja Católica manteve
sua divindade na forma de Maria, a mãe de Deusa. Até mesmo a própria Igreja
passou a ser conhecida como a Sagrada Madre Igreja. A necessidade de se ter uma
fonte de cuidados próxima (à qual servir como nos tempos matrilineares) nunca
foi afastada do inconsciente do homem. A figura materna é a mais forte e
duradoura imagem da experiência humana.
Foram em grande parte as mulheres que estabeleceram a cultura humana e
conduziram a humanidade da era dos caçadores-coletores para a sociedade agrícola.
A imagem da Grande Deusa Mãe era o símbolo externo das preocupações e
necessidades da comunidade humana. Mas ela ainda incorporava os temores dos
povos antigos e destarte era também conhecida como “Mãe Terrível”, a
destruidora da vida, daí representando a morte. Como seu símbolo, a Lua, a
deusa adotava diferentes formas e diferentes matizes de luz e sombra.
Vilas que dependiam das terras cultivadas e dos animais domesticados apareceram
pela primeira vez no sudeste da Europa no sétimo milênio. Imagens da Grande
Deusa Mãe entalhadas em pedra surgiram na arte neolítica da Antiga Europa por
volta de 6500 a.C., com imagens de deidades masculinas com chifres. O grande número
de imagens e estátuas descobertas por arqueólogos indicam um culto matrifocal
distribuído entre os povos da Antiga Europa. Esse antigo culto continha as
origens das crenças religiosas da Wicca.
Quando a palavra “Wicca” passou a ser conhecida pelo grande público, ela
era usada como referência à Antiga Religião européia pré-cristã.
Atualmente, seu significado foi alterado para incluir uma visão mais ampla dos
conceitos neo-pagãos e de Nova Era. A Antiga Religião da Wicca foi
originalmente um culto à fertilidade que idolatrava buma Deusa e um Deus. Possuía,
um certo estágio de sua evolução, uma hierarquia que consistia de uma Suma
Sacerdotisa e um Sumo Sacerdote, auxiliados por sacerdotisas e sacerdotes.
Essencialmente, a Wicca era uma religião da Natureza, enfocando as energias que
fluem sobre a terra com o passar das estações.
Examinaremos os fundamentos da Antiga Religião, apresentando uma visão do que
ela foi um dia e do que é hoje. Creio que é importante recuperar nossa herança
e compreender nossa condição atual, para que não nos esqueçamos de quem
fomos e para que possamos saber quem somos hoje. Não podemos esquecer que a
Antiga Religião, fundada sobre as Leis da Natureza, possui em seu interior
certas leis, padronizadas de acordo com as da Natureza. A Tradição de Mistérios
dentro da Antiga Religião é um sistema através do qual os indivíduos podem
aprender a evoluir espiritualmente por meio de uma compreensão das leis metafísicas
refletidas nas leis da Natureza.
As raízes culturais da Antiga Religião retrocedem aos tempos tribais da
humanidade. Em suas tentativas de compreender o mundo a seu redor, esse povos
primitivos deram os primeiros passos em direção à religião. Nas grandes
manifestações de poder da Natureza, como tempestades e terremotos, eles viam a
ação de Seres maiores do que eles, aos quais posteriormente viram a chamar de
Deuses. Da tendência humana de personificar as coisas surgiu uma hoste de espíritos
e deidades. As lendas da Arte são repletas de histórias nas quais os deuses
interagem com a humanidade. Até os mais comuns mitos esotéricos tratamn de
tais encontros. Parece então provável que a humanidade primitiva realmente
tenha entrado em contato com uma raça superior de Seres (Deuses ou indivíduos
pertencentes a uma sociedade avançada ainda mais antiga), que os impressionaram
de modo a gerar uma veneração ritual. Certamente existem muitos mistérios não
solucionados (tais como Stonehenge, a planície de Nazcar e as estátuas da Ilha
da Páscoa) que nos propõem uma avaliação mais profunda.
Nos Antigos Caminhos, as lendas retratam Deuses que olhavam por seus seguidores,
salvando-os da Queda da Humanidade no correr da Primeira e da Segunda Era. Essas
eras refletem as lendas da Lemúria e da Atlântida. Não eram apenas os Deuses,
contudo, que cuidavam da humanidade, orientando-a, mas também os antigos xamãs
da tribos. Os primeiros xamãs eram em sua maioria mulheres que, durante a
rotina diária de colheita e preparo de alimentos, aprenderam os segredos das
ervas.
Antes do surgimento da agricultura, os humanos dependiam da vida animal e, dessa
forma, dos caçadores das tribos. Antigas lendas retratam bravos caçadores que,
disfarçados de animais (com peles e chifres), aproximavam-se mais das manadas.
Com o passar do tempo, a imagem desses heróis com chifres tornou-se a imagem do
Deus que provia animais às tribos. Como previamente observado, os heróis com
chifres após determinado tempo não mais participavam das caçadas (normalmente
em razão de ferimentos) e sua condição especial dentro do clã lhes
propiciava treinamento religioso e em magia pelas xamãs femininas. Desse fato
tiveram origem a Sacerdotisa e seu Sacerdote. Originalmente, as mulheres
dirigiam a tribo em assuntos religiosos ou espirituais, enquanto aos homens eram
reservados papéis secundários. As mulheres eram vistas como entes mágicos
pelos homens por sua capacidade de gerar rebentos, e por isso eles aceitavam sem
contestação a dominação feminina. Apenas após perceberem seu papel na
procriação foi que os homens exigiram um papel mais determinante nos assuntos
religiosos. Isso trouxe com o resultado uma relação de parceria entre os
sexos, ao contrário das relações anteriores, de dominação. Posteriormente,
os homens forma gradativamente forçados a se tornar guerreiros além de caçadores,
passaram a ter maior importância e conseqüentemente passaram a exercer maior
controle sobre todos os assuntos tribais.
A sociedade matrifocal existente (a que o culto do caçador-guerreiro conseqüentemente
usurpou) havia se estabelecido muitos séculos atrás. Sua Grande Mãe foi a
mais antiga forma divina criada pela humanidade. A respeito desse antigo culto,
Marija Gimbutas escreve:
A arte focada na Deusa, com sua notável ausência de imagens relacionadas à
guerra e à dominação masculina, reflete uma ordem social na qual as mulheres
eram as líderes dos clãs ou em que as rainhas sacerdotisas tinham papel
central.
Marija Gimbutas, The Language of the Goddess
Gimbutas afirma que o culto à Grande Deusa da Antiga Europa sofreu um declínio
gradativo a partir de talvez 4300 a.C., pondo fim a seu reinado solitário por
volta de 2500 a.C. (graças à expansão do patriarcado dos indo-europeus). A
partir de 2500 a.C., a religião da Europa resultou de uma fusão das crenças
matrifocais européias com as práticas patriarcais indo-européias (na maioria
das regiões foram da Europa Central, onde Gimbutas declara que o culto à
Grande Deusa foi obliterado).
Ela escreve também que, no sul e no oeste da Europa, houve muito mais resistência,
o que possivelmente explicaria o porquê de muitos dos antigos ensinamentos de
Mistérios europeus terem sido preservados por tradições como a Strega
italiana (um culto de bruxaria ainda hoje existente):
As regiões egéia e mediterrânea e a Europa Ocidental resistiram mais ao
processo; ali, especialmente nas ilhas de Thera, Creta, Malta e Sardenha, a
cultura da Antiga Europa floresceu através de uma invejavelmente pacífica e
criativa civilização até 1500 a.C., de mil a 1500 anos depois da transformação
completa da Europa. Contudo, a religião da Deusa e seus símbolos sobreviveram
como subcorrente em muitas áreas.
Ibid.
A autora trata também de um “sistema social não-patriarcal e não-matriarcal”
equilibrado, que continuou a ser refletido nos elementos das religiões etrusca
e romana. Quando levamos em conta que os etruscos assumiram seu poder por volta
de 1000 a.C. na Itália, fica aparente que eles ou mantiveram ou herdaram muito
da religião da Antiga Europa, transmitindo-o aos romanos, que adotaram muitos
conceitos etruscos. O antigo historiador grego Theopompus (século IV a.C.)
escreveu que as mulheres etruscas eram socialmente iguais aos homens, cultas,
“excessivamente permissivas” sexualmente e possuíam um amor geral pelo
prazer.
Roma viria a conquistar praticamente todo o mundo conhecido na época. Os
soldados da ocupação romana espalharam o paganismo italiano de sua vilas
rurais por todas as terras conquistadas e ocupadas (em contraste com a religião
do Estado romano, à qual o povo comum, na melhor das hipóteses, prestava
juramentos falsos). Isso explicaria muitas das semelhanças entre as crenças e
práticas do norte e do sul da Europa pagã. No ano de 43 d.C., os romanos
invadiram oficialmente a Bretanha (ao contrário da incursão anterior de César)
e mantiveram a ilha sob seu poder até por volta da metade do século V (410
d.C, segundo os registros romanos). Tamanha foi a influência dos quase 400 anos
de ocupação romana que a cultura, a arte religiosa e a arquitetura celta foram
irremediavelmente alteradas.
Geral Gardner, no capítulo seis de seu livro The Meaning of Witchcraf (Weiser,
1976), relaciona a tradição dos Mistérios Romanos e da Vila dos Mistérios em
Pompéia às cerimônias de iniciação da Wicca celta. Ela afirma:
Agora, isso pode significar que os verdadeiros segredos de magia chegaram à
Bretanha através dos Mistérios, o que vale dizer, antes do ano 100, e que as
bruxas britânicas eram apenas sábias das aldeias... Em tal período as idéias
religiosas eram compartilhadas e adotadas livremente; mas é possível que
certas idéias e práticas tenham chegado à Bretanha através dos Mistérios
trazidos pelos romanos.
Fazendo justiça à intenção de Gardner, ele não cria que essa possibilidade
representasse a verdade absoluta, e acreditava firmemente que a Wicca
representasse a sobrevivência do paganismo da Europa Ocidental (o qual Gardner
ignorava tivesse surgido na Europa Setentrional). Para entender as origens da
Wicca pré-cristã, devemos nos debruçar sobre a História Antiga e a civilização
humana.
À medida que os humanos passaram a construir cidades e impérios, as visões
religiosas das filosofias solar e lunar começaram a se distanciar. Os aspectos
controladores, reguladores e dominantes das filosofias solares pareciam mais
adequados para se conquistar e controlar os inimigos mais rapidamente que os
aspectos influentes, intuitivos e cooperativos das filosofias lunares. Isso, com
o tempo, levou à formação de duas religiões pagãs distintas. Contudo, uma
vez que eram os homens a deter os poderes político e militar, bem como a reger
os Ritos Solares, os Cultos Lunares acabaram por se tornar ilegais em razão do
receio de que pudessem ameaçar a supremacia do Culto Solar.
Os Cultos Lunares passaram a praticar seus ritos em segredo, longe das áreas
urbanas. As florestas e as montanhas se tornaram templos para os cultuadores da
Lua. Apesar do domínio dos homens de orientação solar, o coração do povo
pulsava no ritmo Lunar (com a Deusa). Cultos secretos abundavam, como os
Benandanti italianos, que lutavam contra espíritos maléficos, carregando
cajados com hastes de erva-doce na ponta ao defender as plantações na
colheita. Outras sociedades surgiram para preservar e proteger os Antigos
Caminhos (como a Sociedade de Diana).
O Culto da Bruxaria e outras Tradições de Mistérios floresceram até o século
IV, quando os primeiros cristãos saquearam e destruíram templos pagãos e
proibiram a prática de ritos. Em 324, o imperador Constantino decretou que o
cristianismo passaria a ser a religião oficial do Império Romano. Templos pagãos
foram destruídos ou convertidos em igreja cristãs. Gradativamente, com o
passar dos anos, os costumes pagãos foram absorvidos pelo cristianismo, e a
Antiga Religião passou a ser desertada pela população, passando a existir
apenas nas sombras. Somente pequenos grupos de pessoas se reuniam nos antigos
locais para celebrar os ritos sazonais, pois a maioria temia os fanáticos cristãos,
apesar de os habitantes de vilas e cidades ainda consultarem a bruxa local
buscando curas e auxílio mágico.
No Sul da Europa, certas regiões ainda se atinham fortemente à Antiga Religião.
A Toscana, no norte da Itália, era provavelmente o maior centro de paganismo,
seguida de perto pela região do Benevento no centro baixo da Itália. Com o
tempo, entretanto, até mesmo esses focos de resistência sucumbiram ante o
poder da Igreja cristã. Em 662, um sacerdote cristão chamado Barbatus tentou,
em vão, convertê-lo. O imperador Constans II levantou cerco a Benevento, ameaçando
aniquilar sua população. Barbatus recebeu a promessa do imperador de que a
cidade seria poupada se seus habitantes renunciassem ao paganismo. Romualdus
concordou com essas condições. Em 663 Constans levantou seu cerco e Barbutus
foi escolhido bispo de Benevento. Os locais de culto pagão foram destruídos e
o cristianismo substituiu oficialmente o paganismo.
No norte e no oeste da Europa, a Antiga Religião sofreu intensa perseguição.
Os antigos deuses pagãos locais ainda eram cultuados em pequenas aldeias, e
muitos povoados possuíam uma sábia ou um sábio entendido em ervas e
encantamentos. A igreja atacou violentamente esses indivíduos, rotulando-os de
agentes de Satã e utilizando os versos bíblicos contra eles, o que resultou em
sentenças de morte por prática de bruxaria.
Tudo o que sobreviveu das crenças, cultos e práticas pagãs foi julgado demoníaco
e eliminado pela teologia e pela lei cristã. O Sínodo de Roma em 743 baniu
quaisquer oferendas ou sacrifícios a deuses ou espíritos pagãos. O Sínodo de
Paris, em 829, emitiu um decreto advogando a execução de bruxas, feiticeiras,
etc., citando as passagens bíblicas do Levítico 20:6 e do Êxodo 22:18. o mais
antigo julgamento resultando em pena de morte ocorreu em 102 em Orleans, França,
Execuções de bruxas ocorreram desde 1100, mas a prática não era aceita até
1300. A primeira execução na Irlanda foi a da Dama Alice Kyteler, em 1324. o
primeiro julgamento público , na França, aparentemente ocorreu em 1335,
envolvendo uma certa Anne-Marie de Georgel.
Um dos mais antigos exemplos de legislação secular contra a bruxaria foi
instigado no século XII por Rogério II, rei normando das Duas Sicílias. Ele
afirmou que o preparo de poções do amor, funcionando ou não, era crime. Em
1181, o Doge Orlo Malipieri de Veneza também editou leis punindo poções e
magia. Apesar de a bruxaria ser um crime punível oficialmente por todo o século
XIII, a febre das bruxas do norte da Europa não atingiu o sul da Europa até
uniformizar o início do século XV.
Bulas papais, como a editada por Inocente VII em 1484, transformaram a perseguição
às bruxas numa epidemia descontrolada. Nos primeiro ano após sua publicação,
41 pessoas forma queimadas em Como, Itália, após as diligentes investigações
dos Inquisidores Dominicanos. Em 1510, 140 bruxos foram queimados em Brescia e
300 mais em Como três anos depois. Em Valcanonia, 70 pessoas foram queimadas e
o Inquisidor declarou ter outras 5.000 sob suspeita. A Alemenha assistiu a mais
de 6.000 execuções e os números totais da Europa Setentrional são estimados
em 50.000 durante o período da Perseguição, França e Inglaterra efetuaram
menos de 2.000 execuções, enquanto a Europa Oriental totalizou aproximadamente
17.000.
Em 1951, o Parlamento da Inglaterra revogou as últimas leis contra a bruxaria.
Pouco tempo depois, surgiu na Grã-Bretanha uma renovação do Culto. Em 1954 e
1959, Gerald Gardner publicou seus livros, Witchcraft Today e The Meaning of
Witchcraft (Macmillan, 1922), que revelaram muito acerca da real natureza do
Culto. O próprio Gardner eras um bruxo inglês, e muito fez para mudar a imagem
dos bruxos influenciada pelo cristianismo. Por mais estranho que pareça, os
ritos revelados por Gardner contêm muitos aspectos da bruxaria italiana. O nome
italiano Aradia surge no Sistema inglês, junto ao texto originalmente em
italiano chamado The Charge of The Goddess.
Dois homens cujas pesquisas exerceram grande influência sobre Gerald Gardner
foram Charles Leland e James Frazer. Leland estudou e pesquisou a bruxaria
italiana no final do século XIX e Frazer foi notabilizado por sua pesquisa
acerca da relação entre magia e religião. Ambos eram autores com obras
publicadas; Leland escreveu Aradia – Gospel of the Witches, além de Etruscan
Magic & Occult Remedies (University Books, edição de 1963), e Frazer
escreveu The Golden Bough (Macmillan, 1922), que foi, por muitos anos, um clássico
na área.
Muitos dos elementos da Wicca, como relatados por Gerald Gardner, podem ser
encontrados nos primeiros trabalhos de Leland e Frazer. A conhecida Sagração
à Deusa, por exemplo, origina-se claramente do texto italiano encontrado em
Aradia – Gospel of the Witches, de Leland, escrito quase meio século antes da
versão Gardneriana. A prática cerimonial de bruxos realizarem encontros ao
natural, o culto a uma Deusa e um Deus, e a prática da magia também são
anteriores aos escritos de Gardner e são mencionados em Aradia – Gospel of
the Witches (publicado em 1890). Tratei extensivamente desse tema em meu livro
Ways of the Strega (Llewellyn, 1995), apresentando abundante documentação histórica
corroborando essa idéia.
Durante os anos 1950 e 1960, a Wicca cresceu e se desenvolveu em partes da
Europa, nos Estados Unidos e na Austrália. Surgiram muitas revistas Wiccanas e
neopagãs, criando uma rede para a comunidade pagã. Dois dos mais bem-sucedidos
periódicos eram Green Egg e Circle Network News, os quais ainda hoje são
publicações importantes. Outras, como The Crystal Well, Harvest e The
Shadow’s Edge forma periódicos importantes em sua época. A Wiccan Pagan
Press Alliance (WPPA) serve atualmente como sistema de rede e apoio para
escritores e revistas na comunidade pagã.
Durante o final da década de 1960, a Wicca oferecia uma espiritualidade
alternativa a uma nova geração, e muitos dos que se envolveram com o movimento
hippie desaguaram na Wicca. A Wicca era menos severa e dogmática do que os
sistemas judaico-cristãos ainda dominantes nos anos 60. Isso oferecia grandes
atrativos a uma geração que já vinha questionando a sociedade e as instituições
que a apoiavam.
A Wicca também atraiu aqueles que haviam sofrido emocionalmente com o
establishment e a Igreja, em razão de estilos de vida alternativos ou pontos de
vista não-convencionais. Após o movimento hippie, que ensinara amor e
individualidade, surgiu o movimento da Nova Era. Esse movimento introduziu o uso
de cristais, freqüências de ondas mentais, alienígenas e tudo o mais que
surgisse. Talvez mais do que qualquer outra, a mensagem enfocada pela Nova Era
enfatizava o Self, a Individualidade. Não eram os mesmos ensinamentos acerca da
individualidade dos anos 60; era muito mais abrangente e difuso.
A década de 1980 talvez tenha assistido às mais significativas mudanças até
agora. A filosofia da Nova Era germinou na Wicca e encontrou solo fértil na
mente aberta de seus praticantes. Em pouquíssimo tempo, muitas crenças
Wiccanas foram modificadas e alteradas para acomodar uma nova geração. Essa década
assistiu também a uma abundante produção de livros sobre a Wicca e outros
assuntos correlatos. Novas tradições surgiam lá e cá, todas com uma idéia
diferente ou um novo enfoque. Essa década desviou o foco das antigas tradições
Wiccanas em favor de sistemas ecléticos.
Agora, na década de 1990, temos visto a crescente popularização dos boletins
computadorizados tais quais os fornecidos por servidores como Compuserve e
Americana OnLine (AOL). Esses serviços oferecem um fórum para que os Wiccanos
e neopagãos possam discutir uma variedade de tópicos e formular e responder
perguntas. Alguns assinantes formaram Cyber Covens, celebrando rituais on-line
através do modem dos computadores. Pessoalmente, tenho minhas reservas quanto
ao assunto, mas é interessante observar essa evolução moderna da Wicca.
Por causa de algumas das modificações dentro da Wicca moderna, muitos dos
antigos praticantes passaram a utilizar o termo Witch (Bruxo) em vez de Wiccanos
para descrever a si mesmos. Esse fenômeno passa a ser especialmente curioso
quando se considera que há não muito tempo muitas dessas mesmas pessoas
preferiam utilizar o termo Wiccano em razão da incompreensão do público
quanto ao verdadeiro significado do que seja um Bruxo. O uso atual desse termo
aparentemente indica um desejo de ser identificado como praticante de um sistema
de crenças mais antigo e tradicional. Atualmente, a Wicca é formada em grande
parte por tradições autogeradas fortemente fundamentadas em material eclético.
Quando alguém se intitula Wiccano hoje, pode ser que se identifique com um
sem-número de crenças ou práticas que um outro Wiccano não necessariamente
aceitaria.
Quando descrevo a Wicca atual como uma religião da Nova Era, se comparada à
Wicca de algumas décadas atrás, acodem-me algumas impressões. A Wicca é como
uma árvore, e quer me parecer que as Antigas Tradições Wiccanas são as raízes.
As novas Tradições Wiccanas são como as flores que se renovam na primavera, e
talvez essa Nova Era seja mais uma primavera. A fragrância das flores difere da
fragrância da madeira da velha árvore na qual elas crescem. Talvez a fragrância
das flores seja a emanação do espírito da árvore, a essência do que a árvore
produz.
Para que uma árvore floresça e continue a produzir flores e sementes, ela
necessita de um sistema seguro de raízes para nutrir os novos brotos. É muito
fácil nos deliciarmos com as flores enquanto esquecemos da planta como um todo.
As raízes de uma planta a sustentam em condições adversas. Em muitos casos, a
planta pode aparentemente desaparecer, mas a raiz sob o solo restabelecerá a
planta novamente em condições ideais. Temo que, atualmente, o objetivo
principal da comunidade Wiccana seja o de produzir belas flores, e que o
conhecimento da árvore como um todo esteja se perdendo.
Se pudermos unir equilibradamente as novas e as velhas tradições, asseguremos
que a sabedoria e o conhecimento de nossos ancestrais sobreviverão com o que nós,
por nossa vez, temos a transmitir a nossos próprios descendentes. Nós somos os
antigos Wiccanos de amanhã, e espero que nossa coragem e dedicação a essa
antiga religião nos traga o mesmo respeito perante nossos descendentes, do
mesmo modo que nós honramos os valorosos homens e mulheres que sobreviveram à
Inquisição.
O que os antigos Wiccanos preservaram com suas vidas? Uma coleção de encantos
e rituais? Seria apenas um confortável conjunto de crenças pré-cristãs que
eles preferiam? Não – o que eles protegiam era, isso sim, uma mentalidade e
uma espiritualidade. Os instrumentos e as chaves para o entendimento, através
do qual os mistérios podiam ser acessados, eram mais importantes do que suas próprias
vidas. Eles estavam protegendo as raízes da árvore.
Um de meus professores certas vez me disse que, se não temos nada pelo que
valha a pena morrer, então não temos nada pelo que valha a pena viver. Será
que arriscaríamos nossas vidas atualmente para proteger nossos Livros das
Sombras se condições como as da Inquisição ainda existissem? Será que
realmente compreendemos o que era tão precioso aos nossos ancestrais Wiccanos?
Há uma velha história sobre um grupo de bruxos que caminhou mar adentro rumo
à morte para não ser apanhado pela Inquisição. À medida que avançavam na
água, eles entoavam os nomes sagrados da Deusa, até que a última de suas
vozes foi silenciada sob as ondas. Esses eram bruxos que compreendiam os mistérios.
A Wicca é como uma árvore com ramos abertos, fornecendo abrigo e alimento a
todos os que em sua sombra buscam refúgio. A primavera restaura o crescimento
que surge sob os galhos, e da velha madeira da árvore surge então seu fruto.
Ocultas sob isso tudo estão as raízes que suportam a árvore, mantendo-a de pé.
Se essas raízes são bem alimentadas, a árvore floresce. Se as raízes não
recebem coisa alguma, conseqüentemente a árvore fenecerá e tombará com o
passar do tempo. As raízes da árvore que hoje chamamos Wicca necessitam de
nossa atenção. Vamos nos deter e cuidar de nosso antigo jardim.
Fonte: Livro Mistérios Wiccanos, de Raven Grimassi
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