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Hoje em dia sabemos das dificuldades das mulheres em aprender, por exemplo,
Cabala pelas mãos da mística judaica, de uma vez que os Rabinos as consideram
indignas deste conhecimento, baseados no princípio de que "os espíritos
encarnados no feminino não evoluem".
Ou mesmo a participarem de diversos ritos, entre eles os maçônicos, salvo raras
exceções, pois estes são essencialmente masculinos.
Na verdade, temos denunciado, porque consideramos isto uma arbitrariedade, na
verdade um preconceito criminoso, que diversos segmentos religiosos, místicos,
templários e afins, onde a mulher não participa diretamente nas decisões do
movimento,e menos ainda de seus ritos mais profundos.
Entre estes estão:
- a Rosacrucianismo que tem um líder masculino, sempre.
- a Igreja Católica onde não há sacerdócio feminino, pela "lógica" de que Jesus
tinha 12 apóstolos do sexo masculino;
- a Igreja Universal que não ordena mulheres, pois estas "são, apenas,
companheiras fiéis dos homens";
- o Lamaísmo, os Congregados Cristãos, o Pró-Vida, os Protestantes, os
Pentecostais de modo geral, são homens que dirigem.
Mulheres, quando aparecem, são em cargos secundários, inexpressivos.
O conhecimento oculto nestes sistemas restritos pertencem a uma cúpula,
masculina, que não o dissemina às camadas de adeptos de um modo geral, onde as
mulheres se encaixam.
As dúvidas
Se as mulheres, na Bíblia, são tidas como pessoas imundas, subservientes, seres
de segunda geração que não tem direito ao conhecimento, como se portavam as
mulheres de centenas de anos atrás, com dotes espirituais, com capacidade de
mover o misterioso mundo dos espíritos?
De onde provinha esse conhecimento, se eram muito mais limitadas em seus acessos
ao conhecimento até então restritos ao macho?
Manifestando a capacidade de manipular o insondável em tenra idade e com poucas
oportunidades a escolas e aprendizados práticos, seus conhecimentos parecem vir
de uma herança genética, gravados em um DNA espiritual ou numa memória imortal,
que atravessavam os tempos explodindo em uma determinada pessoa, fosse ela homem
ou mulher.
Por esta teoria se esclarece o acervo de sabedoria e a intuição profunda de
Helena Petrovna Blavaskti, ou Joana D´arc, os quais nunca poderiam ter sido
obtidos em uma única vida, considerando as limitações existentes.
Isto nos leva a contradizer tanto os adeptos da Cabala só para homens, bem como
outros segmentos limitadores da presença e participação feminina nos ritos
espirituais em toda a sua profundidade, que no processo de aprendizado o
espírito tanto se manifesta no masculino como no feminino, e que suas
experiências se somam num determinado Ser, sem levar em consideração a condição
sexual.
Destas vivências, ou sequências de vidas, resultam um acervo espiritual numa
determinada personalidade, em uma expressão de vida, de modo intuitivo, e que
independe do corpo que a essência espiritual esteja usando, seja ele masculino,
feminino ou mesmo uma combinação destes.
O Ser imortal, a mente/consciência que se expressa em diferentes corpos físicos,
com sua bagagem de conhecimento adquirido ao longo de múltiplas vidas, prescinde
de conceitos referentes ao corpo que utiliza.
Símbolos, somente
Porque não as vemos, em grande escala, em torno de uma fogueira, a dançar para
os deuses, podemos pensar, então, que os tempos modernos aposentaram o Caldeirão
e a Vassoura, mas nos enganamos.
Estes, longe de serem meros instrumentos de Magia, são na verdade, símbolos que
identificam a verdadeira bruxa das incontáveis simuladoras de conhecimento.
São como o anel do doutor, a sensibilidade do terapeuta, a toga do Juiz: só são
dignos dos mesmos os que de fato e de direito exercem com maestria suas
profissões; claros indicadores de anos persistentes de estudo, cuja ausência
caracteriza o charlatanismo.
Tanto o Caldeirão com a colher para mexer os ingredientes, como a Vassoura
dividida em cabo e penugem, representam os opostos.
Na verdade, simbolizados no masculino e no feminino, representam as duas grandes
leis da Natureza, expansão e contração, negativo e positivo, macho e fêmea.
Simbolicamente, a bruxa que tinha um caldeirão era capaz de manipular estes
elementos e promover uma Alquimia, ou mudança, em sua própria vida.
Em ritos posteriores recebia uma Vassoura, que permitia varrer o lixo do seu
Templo, representado no seu corpo e na sua mente, permitindo ao espírito
apresentar-se em toda sua plenitude.
E voar, elevar-se às alturas espirituais não alcançadas pelo mortal comum, com
seu conhecimento adquirido!
O fato de transformar seus algozes em sapos, representava seu potencial elevado
de estar acima do ignóbil, mesquinho e vil; tanto é verdade que somente poderiam
sair deste enclausuramento através da manifestação do amor, vindo de uma pessoa
bela e jovial.
Pela transmutação dos baixos instintos, uma pessoa poderia se elevar as suas
qualidades superiores. Quanta sabedoria nos ensinam os conceitos das
Feiticeiras!!!
Sempre os preconceitos
Seus ritos de harmonização com a Lua, semelhantes aos ritos masculinos de
adoração ao Sol, o Deus Rá, ou os ritos de adoração ao Falo como gerador de
colheitas abundantes, não foram compreendidos.
Seus instrumentos simbólicos de trabalho, o Caldeirão e a Vassoura, semelhantes
ao compasso e ao esquadro do Maçon; semelhantes à espada e o escudo dos
Templários; semelhantes ao cálice e à hóstia dos esotéricos; semelhantes ao
cajado e à serpente dos Magos masculinos; também não foram aceitos.
Retiradas do convívio familiar, expostas a execração pública, apedrejadas,
tiveram um fim pouco digno de quem busca o crescimento pelos mesmos caminhos e
meandros que os Bruxos, seus parceiros de jornada.
- Trabalhando, e dirigindo, os terreiros de Umbanda, os quais exigem pleno
domínio dos diversos planos de existência em vista das forças ali manipuladas;
- Dentro do Espiritismo dinâmico, nos passes, nas sessões de cura e
desobssessões, remexendo nos lixos acumulados pelas pessoas;
- E numa escala também considerável, essas antigas Feiticeiras orientando
pessoas com seus oráculos; incrementando ritos de harmonização com os elementos
da natureza; na busca de ajuda espiritual aos doentes do corpo e do espírito; em
seus consultórios de Terapias Alternativas.
Nestes locais encontramos, hoje, as Bruxas que utilizavam o Caldeirão, as poções
e a Vassoura, de antigamente!
Conceitos a serem modificados
Quem sabe o período dedicado as Bruxas, no misticismo Celta, no próximo dia
30/31 de outubro de 2000, nos traga uma compreensão maior de que estamos na
contramão a respeito do feminino.
Que na verdade, o espírito quando num corpo de mulher é o único Ser Criador, de
uma vez que é ele que concebe, transporta, alimenta, dá à luz e cria um novo
ser.
E talvez até Deus assuma com isso uma nova conotação, deixando de ser somente o
masculino que conhecemos até então, de uma vez que Sua característica maior é a
Criação.
Na pior das hipóteses, sendo menos intolerantes, estaremos permitindo que as
Feiticeiras e as Bruxas autênticas, do mundo contemporâneo, possam crescer e
participar, das coisas que o clube dos preconceituosos as tomou para si.
Fonte:
Avallonlist
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