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Há muitas divergências quanto à celebração da face negra da Lua. Alguns dizem
que é a Lua Nova outros explicam que é a fase de total escuridão da lua, que são
os últimos três dias da lua minguante, quando a lua acabou de minguar e
desapareceu totalmente, abandonando os céus. Isso vai depender da Tradição ao
qual você escolher para estudar.
Nas antigas religiões o lado negro da Deusa era representado pela lua nova,
quando a lua estava totalmente coberta pela sombra da terra e não era vista no
céu.
Representava a passagem do mito da Deusa onde ela descia às profundezas do mundo
subterrâneo. Um mito recorrente nas mais variadas mitologias, desde a descida de
Deméter ao Hades em busca da sua filha Perséfone, passando pela busca de Ísis
por seu amado Osísis, Cibele em busca de Átis e, o mais antigo e significativo,
no qual Inana, uma deusa múltipla com atributos luminosos como fertilidade e
sensualidade, desce ao submundo para consolar sua irmã Ereshkigal, despindo-se
no caminho de todos seus atributos luminosos e divinos, e chega junto a sua
irmã, nua e encurvada pelo cansaço, numa atitude de submissão e reconhecimento
do poder crônico do interior do planeta. Assumindo a própria morte, Inana
conhece a si mesma já que Ereshkigal é ela própria. Não é apenas mais uma das
fases visíveis da lua, mas sim o lado dela que nunca vemos, a face oculta da Lua
e portanto pela primeira vez a deusa se sente completa e plena.
A maioria dos bruxos não celebra a Lua Negra.
Nessa fase as deusas então se mostram como a Deusa Negra, a que revela o Seu
lado obscuro e terrível, muitas vezes cruel, bem como o nosso. Essa fase da lua
é mais difícil de ser trabalhada e não é recomendável que alguém recém-chegado à
bruxaria já comece a celebrá-la.
Não leve ao pé da letra o "não ser celebrada", porque com conhecimento você pode
utilizar esse poder em seu benefício.
As Deusas negras seriam o lado obscuro de suas faces.
E se nós somos a personificação dessas Deusas ...
O encontro com o lado obscuro é sempre assustador, é reconhecer em nós mesmos
uma mola propulsora que pode causar loucura e até mesmo tragédias. E se é
aterrorizante em nós que somos humanos, é o próprio terror em se tratando de
Deuses.
É por isto que lemos em muitos autores que a Deusa Negra é devoradora e
destruidora por natureza, mas na verdade o que não reconhecemos na divindade é
que é o obscuro, o negrume é o véu que uma vez desvelado nos revela a totalidade
das deusas, ou mesmo dos deuses., Dionisio desceu aos mundos inferiores em busca
da Mãe, fazendo o roteiro inverso de Deméter; Orfeu, seu maior profeta, pode ter
sido Deus consorte de uma Deusa Mãe anterior aos olímpicos, desmembrado e
devorado pela Ménades, coisa típica de consortes das Grandes Mães do neolítico
depois humanizado pelos dominadores.
A Lua Negra é tão poderosa quanto o plenilúnio
Porém, o Seu poder é das sombras, do terror, da face destrutiva da Divindade,em
geral assusta quem começa a trabalhar com ele, mas é um poder necessário de ser
compreendido, pois faz parte da Deusa (e portanto de nós).
Os esbás da Lua Negra são voltados ao conhecimento do nosso lado obscuro e a sua
cura, para que transmutemos as nossas características improdutivas (nervosismo,
ódio, etc) em características produtivas (paz interior, amor, etc) e para que
aprendamos a lidar com as nossas sombras.
As deusas normalmente relacionadas a esses rituais são Hécate, Ceridwen e
Lillith e Kali, Mas também podem ser encontradas citações em Sekhmet, Baba Yaga,
Ereshkigal, Éris, Ísis, Afrodite, Kuan Yin, Gaia, Lakshmi
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